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De lucros exorbitantes, bolsa agora carrega a má fama das ações que viraram pó

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 0 comentários

SÃO PAULO - Na crise, o valor das ações responde mais à emoção do investidor que à própria racionalidade do investimento. Quando o imprevisível não é mais surpresa no dia a dia das bolsas, são diversos casos de ações que viraram pó ou chegam muito perto disto. Parafraseando Warren Buffett: "Preço é o que você paga, valor é o que você tem".

Um ano atrás, eram os ganhos estratosféricos que chamavam atenção. Há casos de small caps que renderam mais de 6.500% em três anos - como exemplo, o caso das ações da produtora de cadeados e fechaduras Haga (HAGA4), que foram de R$ 0,18 em janeiro de 2006 para R$ 12 em janeiro de 2009.

Os mega-IPOs de BM&F e Bovespa apenas popularizaram uma promessa irresistível das ações: ganhos fantásticos em pouco tempo. Ironicamente, estas ofertas marcaram a virada do jogo. Agora, os casos famosos são de quem assistiu seu investimento derreter.

Longo prazo de 66 anos, em vão
A GM é bom exemplo. Imagine comprar as ações da maior fabricante de automóveis do mundo em 1942, por menos de US$ 3. Naquela época, nem passava pela cabeça as proporções, tão pouco o desenvolvimento que o mercado de veículos iria atingir. Depois de toda a história, aquele investidor bate o olho na cotação de seus ativos e vê que, 66 anos depois, o preço da ação é o mesmo.

Ameaçada por prejuízos seguidos e queda nas vendas, a GM viu suas ações voltarem ao preço da Segunda Guerra Mundial. Para se ter uma idéia, os papéis da empresa chegaram a valer US$ 88,75 em abril do ano 2000 - valorização de mais de 2.800% frente àqueles US$ 3. Fecharam a US$ 2,79 em 19 de novembro do ano passado, mínima destes anos de história.

Apareceu e já desapareceu
Mais recentemente, o caso do Citigroup é o que chama mais atenção nos EUA. Dois anos atrás, as ações valiam US$ 54,50. Na última quinta-feira (15), valiam US$ 3,40 - desvalorização de 93% frente ao pico de abril de 2007.

Não precisa ir muito longe. Quem assistiu à onda de IPOs de 2007 teve alimentado seu otimismo de ganhos exponenciais com o investimento em ações. Entre as muitas empresas que estrearam naquele ano, a Agrenco, por exemplo, começou cotada a R$ 10,40 e atualmente vale R$ 0,22. Em menos de dois anos, prejuízo de 97,9% ao acionista.

Mercado irracional
É comum ler analistas destacando que determinado ativo está barato, ou melhor, descontado em relação a seus fundamentos. Vale e Petrobras são duas ações frequentemente citadas. A onda de programas de recompra de ações é exemplo de que as próprias empresas consideram seu valor no mercado injusto.

No caso do Lehman Brothers, as ações chegaram a ser negociadas a valor inferior ao ativo imobilizado da empresa. Grosso modo, seus prédios e demais bens físicos valiam mais do que o mercado avaliava a companhia inteira.

Por aqui, entre tantos casos, dá para destacar o da Log-In. Em outubro do ano passado, a capitalização de mercado da empresa era de R$ 400 milhões. Na ocasião, a Log-In possuía R$ 194 milhões em caixa sem endividamento financeiro. "Alguém que comprasse hoje a empresa estaria pagando apenas R$ 206 milhões pelo negócio dela (logística), que apresentou um lucro líquido de R$ 38 milhões apenas no primeiro semestre", destacou a Gradual Corretora na época.

Os números da empresa têxtil Coteminas também referentes a 31 de outubro de 2008 são mais um bom exemplo. Na data, a empresa possuía um patrimônio líquido de R$ 1,468 bilhão, um capital de giro líquido de R$ 1,118 bilhão e um valor de mercado de R$ 378 milhões. Esse cenário dá origem a duas situações diversas. Na primeira, um comprador poderia pagar a empresa com seu capital de giro e ainda sobrariam R$ 740 milhões; na segunda, o comprador poderia adquirir a empresa, encerrar seu negócio, receber e pagar todos os compromissos, liquidar os ativos e, depois de tudo isso, ainda sobraria quase R$ 1,1 bilhão.

Não é quanto vale, é quanto pagam
Parte do sobe-e-desce das ações remete a casos de certa irracionalidade do mercado. Pagam pela ação muito mais ou muito menos do que seus fundamentos indicam, do que a empresa realmente vale.

Mas a crise é fator agravante. Não é novidade que há diversas opções baratas atualmente, o problema é que o mercado não mostra disposição alguma para comprá-las. Na crise, preço não é quanto vale, é quanto o mercado está disposto a pagar.
Fonte: InfoMoney

Vale comunica ao mercado a data de divulgação de seus resultados: 19 de fevereiro

SÃO PAULO - Aguardado com grande expectativa pelo mercado, o desempenho opercional da Vale (VALE5, VALE3) no quarto trimestre do ano passado vem cercado de incertezas e precedido por recordes.

O enfraquecimento da demanda por commodities e a conseqüente retração em seus preços aparecem como possíveis vilões, enquanto os números extremamente positivos verificados no terceiro trimestre corroboram uma perspectiva mais favorável.

A data
O balanço será divulgado no dia 19 de fevereiro de 2009, quinta-feira, após o fechamento do mercado. No dia 20 de fevereiro, sexta-feira, será realizada conferência telefônica e webcast às 11h00, horário do Rio de Janeiro.

"A Vale divulgará simultaneamente resultados consolidados em BR GAAP (princípios de contabilidade geralmente aceitos no Brasil) e US GAAP (princípios de contabilidade geralmente aceitos nos Estados Unidos)", declarou a empresa em nota enviada ao mercado.

Recordes no terceiro trimestre
Cabe lembrar que os resultados referentes ao terceiro trimestre de 2008 vieram cercados de recordes e também superaram grande parte das projeções. A começar pelo lucro líquido, a mineradora somou R$ 12,433 bilhões, o que representa um crescimento de 167% frente ao mesmo período do ano passado.

Outra marca histórica superada foi a de receita operacional bruta. A companhia totalizou R$ 21,387 bilhões no período, aumento de 33,4% em relação ao mesmo período de 2007, determinado pelos efeitos causados pela variação dos preços dos produtos.

A companhia também destacou o recorde trimestral de embarques de minério de ferro e pelotas: 86,604 milhões de toneladas métricas, com expansão de 12,5% em relação ao período de junho a setembro de 2007.

Fonte: InfoMoney

Confira as projeções de 10 analistas para o Ibovespa; valorização média é de 40%

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 0 comentários

SÃO PAULO - Passado 2008, em que grande parte das estimativas se mostrou otimista demais frente à realidade, discutir previsões para os mercados acionários se tornou negócio arriscado.

Porém, enquanto algumas instituições aguardam uma maior definição do cenário, outras colocam em dia suas análises e arriscam projeções para os níveis do Ibovespa ao final de 2009.
[veja mais]

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Corretoras | A queda da bolsa e seus impactos

Por Marinaldo Nogueira
No ano que se encerrou a bovespa amargou a sua maior perda acumulada em um ano desde a sua fundação, -41,22% de queda no preço médio de suas ações, isto se deveu em maior parte pela fuga dos investidores extrangeiros que se desfizeram de suas posições nesta para cobrir perdas em seus países causadas pela crise imobiliária Americana que por conseguinte secou a liquidez do sistema financeiro global.
Vimos dezenas de bancos extrageiros quebrando, seguradoras falindo e agora as grandes montadoras americanas na eminencia de pedir concordata, fato que tem gerado impacto direto na economia global e a Brasileira não passará ilesa.
Os bancos Brasileiros surprienderam com sua boa capacidade de gestão e se mostraram fortes num momento onde setor estava em terremoto ( ainda com o crédito limitado e caro), mas existe um setor interligado as finanças que ainda não se manifestou, o das corretoras de valores.
Neste momento de insegurança ( cautela) dos investidores as grandes corretoras teem os grandes bancos na sua retaguarda, mas o que esperar das corretoras independentes?
Uma boa fatia do faturamento das corretoras vem exatamente das taxas de corretagem, e com a queda no volume negociado da bovespa fica fácil crer que o faturamento destas também declinará.
Como em outros setores vejo até fim deste ano muitas corretoras pequenas sendo engolidas pelas gigantes como Ágora por exemplo.
Vamos esperar para ver...

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Diretor da Link Investimentos recomenda: comprem ações em 2009!

Diretor da Link Investimentos recomenda: comprem ações em 2009!

SÃO PAULO - "Comprem ações em 2009!". Já se antecipando, Frederico Meinberg, diretor de renda variável da Link Investimentos, rebate: "Não estou louco, sei que estamos passando por uma das piores crises já vividas na história".

Mesmo em meio às incertezas quanto ao futuro da economia global, Meinberg acredita que em 2009 poderemos encontrar excelentes oportunidades de investimento.

Ações coordenadas de bancos centrais, expectativas favoráveis para a economia brasileira e cenário de queda de juros no País fazem parte dos fundamentos propostos para suportar a ousada recomendação.

As medidas adotadas por bancos centrais ao redor do globo devem impedir a quebra de outras instituições financeiras. "Entendo que o pior da crise já passou". A quebra do banco norte-americano Lehman Brothers serviu para provar que o sistema não comporta um evento desta magnitude.

Lição de casa bem feita
Ao passo que novos dados relativos à atividade econômica mundial são divulgados, fica evidente que o ano de 2009 será marcado por uma considerável desaceleração econômica em nível global.

Contudo, a economia brasileira deve se manter acima da média mundial. "O País fez a lição de casa direitinho", avalia o diretor de renda variável da Link.

Dentre os indicadores de destaque, foco para as reservas cambiais na ordem de US$ 207 bilhões, o que permite uma situação credora do Brasil, incluindo a dívida externa privada.

Ademais, o crescimento da Ásia deve continuar sustentando o nosso crescimento.

Descontos extremos
Meinberg chama atenção para o fato de que muitas ações de empresas negociadas na bolsa ficaram baratas após o processo de desalavancagem mundial. Mas também alerta que o momento ainda é de incertezas e não é fácil prever exatamente quando o ciclo de alta das bolsas vai voltar.

Por outro lado, existe uma gama de empresas inseridas em setores sólidos, com forte geração de caixa, distribuição satisfatória de dividendos e boa administração que estão "extremamente descontadas".

O diretor acredita que papéis com liquidez, histórico de crescimento e perfil de crédito bom deverão retornar a patamares mais realistas. "Os descontos chegaram a tal nível que algumas empresas tiveram seu valor de mercado abaixo do seu caixa".

Possível "over reacting"
O mercado já vinha se posicionando para um cenário bem pessimista e Meinberg acredita que muito já esteja precificado. "No primeiro sinal de melhora, as ações voltarão a subir".

Para dar suporte à afirmativa, o diretor da Link faz um paralelo com as maiores altas anuais recentes do Ibovespa. Os picos de valorização do índice nesta base comparativa (+151,93% em 1999 e +97,34% em 2003) ocorreram após uma desvalorização expressiva nos anos anteriores, que poderiam ser vistos como "anos com crise" (1998: crise da Rússia e 2002: eleição de Luiz Inácio Lula da Silva).

Contudo, Meinberg alerta que não pretende estabelecer uma relação entre as oscilações dos anos e muito menos comparar a crise atual com aquelas vivenciadas na época, mas sim chamar atenção para um possível "over reacting" do mercado em alguns períodos.

Fonte: Link Investimentos


Um conselho
Por fim, o diretor da Link deixa um conselho. Não acreditem em vozes que dizem: "vamos entrar em depressão", "o mundo vai quebrar" ou "não tem ninguém comprando ações", afinal foram estas vozes que afirmaram: "quando o Brasil se tornar investment grade, o bolsa vai dobrar de preço".

Por: Marcelo Olsen Saad
08/01/09 - 08h50
InfoMoney

Coinvalores lista 14 papéis para janeiro, centrando apostas em Vale e Petrobras

SÃO PAULO - A carteira de ações mensal da corretora Coinvalores traz recomendações de 14 papéis tidos por seus analistas como boas pedidas para janeiro.

O portfólio do mês passado obteve desempenho ligeiramente superior ao do Ibovespa no período ao marcar alta de 2,95%, enquanto o índice subiu 2,61%. Destaque para a valorização dos papéis da Coelce, que subiram 23,5% no período, ocupando o posto de maior valorização da carteira.

Além disso, vale destacar que as ações das duas maiores blue chips brasileiras - Vale e Petrobras - aparecem com o maior peso da carteira da corretora, com participação de 17% e 20% respectivamente.

Confira as recomendações

EmpresaCódigoPreço-alvo*Upside**
PetrobrasPETR4R$ 35,0041,4%
ValeVALE5R$ 48,0075,3%
CemigCMIG4R$ 50,5058,3%
CPFL EnergiaCPFE3R$ 48,0055,3%
AmBevAMBV4R$ 130,0030%
Souza CruzCRUZ3R$ 61,0029,1%
CCR RodoviasCCRO3R$ 39,0057,7%
SabespSBSP3R$ 38,0041,3%
UsiminasUSIM5R$ 46,5052,7%
M. Dias BrancoMDIA3R$ 34,0034,6%
TelespTLPP4R$ 70,0065,4%
BicbancoBICB4--
ItaúITAU4--
UnibancoUBBR11--
*Para dezembro de 2009
**Potencial de valorização com base na cotação de 8 de janeiro


Fonte:InfoMoney

Renda fixa, ações, dólar: qual será a escolha mais bem sucedida em 2009?

SÃO PAULO - Para aqueles que mantiveram seus investimentos em renda variável, o ano de 2008 foi penoso. O Índice Bovespa encerrou o último ano com queda de 41%, pior marca desde 1972, enquanto Dow Jones e S&P 500, dois dos principais índices de ações dos EUA, se desvalorizaram 34% e 38%, respectivamente. Sem falar dos europeus, como FTSE 100 (-31%) e DAX 30 (-40%).

Até as apostas em renda fixa nos mercados desenvolvidos abalaram alguns portfólios; caso dos bônus de dívida do Lehman Brothers, que declarou concordata em setembro, entre outros. Houve ainda as perdas com os fundos controlados por Madoff, que armou um esquema Ponzi criminoso.

O mercado brasileiro seguiu à deriva dos acontecimentos externos e do fluxo de investimento estrangeiro, muito prejudicado com a intensificação da crise financeira. Lucro real moderado veio de aplicações em renda fixa, alternativa de investimento que Alberto Furuguem, economista do banco Cruzeiro do Sul, concentra suas apostas em 2009, visto que a taxa de juro praticada no Brasil está entre as mais elevadas do mundo.

Saídas para 2009
Para este ano, Furuguem pede muita atenção para os investimentos em renda fixa, que devem gerar algum lucro real (retorno deduzido da inflação) mesmo em meio à expectativa de queda da Selic nos próximos encontros do Banco Central.

Quanto às bolsas de valores, o economista vincula sua análise aos fundamentos depreciados das ações, que geram "boas oportunidades de compras" para o investidor com foco no longo prazo. O principal objetivo este ano é reduzir o preço médio da carteira, afirma Furuguem, mesmo sem saber quando será declarada a virada do mercado.

No mercado de câmbio, a análise é de mais volatilidade na relação real versus dólar, assim como verificado ao longo de 2008, quando houve a disparada da cotação da divisa norte-americana por conta do agravamento da crise.

Âmbito coorporativo
No que tange a esfera corporativa, o economista do Cruzeiro do Sul acredita que os investimentos deverão ser mais comedidos em 2009 e muito mais estratégicos, com análises profundas na hora do aporte.

Impactos da crise serão sentidos também nos resultados das empresas, que transitaram de um crescimento acelerado no primeiro semestre de 2008 para um crescimento bem mais moderado a partir de agora. Os números do quarto trimestre de 2008 e do primeiro trimestre de 2009 serão uma amostra do que será este ano.

Porém, mesmo em meio ao cenário negativo, Furuguem prevê surpresas agradáveis, por isso recomenda avaliações setoriais e específicas de cada empresa a fim de garimpar uma boa oportunidade.

Se a aposta é no mercado imobiliário, reveja seus planos. Para o economista, o comportamento mais provável é o de queda de preços, em consonância com o desaquecimento econômico e a restrição de crédito.

Portanto
O melhor a se fazer é tentar precaver-se contra as ameaças, mas, sobretudo, não deixar de aproveitar as oportunidades que certamente estarão disponíveis ao longo de 2009, afirma Furuguem.

Este ano poderá ser um período de "reestruturação" de procedimentos, ao passo que a retomada do crescimento deverá ocorrer em uma ambiente mais saudável e equilibrado.
Fonte: InfoMoney

Os maiores fraudadores do sistema financeiro global

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 0 comentários

A megafraude Madoff

A firma de Madoff possuía diversos hedge funds como clientes, controlava cerca de US$ 17,1 bilhões em ativos. Longe das operações prometidas, a Madoff Securities nada mais era que um
esquema Ponzi gigante. A rentabilidade prometida era paga aos investidores com o dinheiro obtido com o ingresso de novos clientes.

Suspeitando das movimentações, o FBI enviou agentes ao apartamento do ex-presidente da Nasdaq em Nova York. Ao se deparar com o investidor de 70 anos, os agentes pediram uma explicação inocente. "Meu negócio é uma grande mentira", foi a resposta.

Após quase um mês de noticiário destacando diariamente o nome de uma ou mais vítimas do esquema, Madoff volta às manchetes neste início de semana. Após enviar relógios, jóias e outros bens de valor a familiares, as autoridades da Flórida voltaram a pedir a prisão do investidor, mesmo com as investigações ainda não concluídas. Caso se confirmem as projeções de US$ 50 bilhões envolvidos no esquema, o caso Madoff Securities é a segunda maior fraude da história corporativa norte-americana, atrás somente da Enron.


Charles Ponzi

O italiano Charles Ponzi deu nome ao esquema utilizado por Bernand Madoff. Durante a primeira guerra mundial, ao emigrar da Itália para os Estados Unidos, percebeu uma falha no sistema postal. Os cupons-resposta internacionais permitiam o envio de correspondência de um país a outro. Diferentemente dos selos utilizados internamente, estes cupons eram adquiridos em um país e poderiam ser trocados em outro, convertidos em selos.

Em meio à inflação gerada pela primeira guerra, a idéia de Ponzi era adquirir os cupons-resposta na Itália por valor mais barato, enviá-los aos Estados Unidos e trocá-los por selos locais de maior valor. A brecha neste sistema chegou a gerar 400% de retorno líquido a Ponzi, que fez fortuna e se tornou um dos cidadãos mais influentes da sociedade de Boston.

Ponzi passou a oferecer lucros de 50% em quinze dias para investidores, captando mais dinheiro para as compras dos cupons e utilizando as próprias captações para bancar as promessas de retorno. Após ser pego nos Estados Unidos, foi deportado para a Itália. Passou seus últimos dias no Rio de Janeiro, à beira da miséria. Faleceu em um hospital carioca para indigentes, em 1949.



O escândalo Enron

Mesmo relacionando cerca de US$ 50 bilhões, Madoff ainda fica longe do escândalo Enron. Gigante norte-americana do setor de energia, a companhia chegou a ser uma das líderes mundiais em distribuição e empregar mais de 20 mil funcionários. Em parceria com empresas e bancos, a companhia manipulava seus balanços, inflava resultados e escondia débitos bilionários.

A Enron divulgava lucros artificiais e contratos inexistentes. Após dezenas de investigações do governo norte-americano, foram indiciados executivos, bancos, contadores, escritórios de advocacia responsáveis pela fraude que levou a companhia à concordata no final de 2001. O grupo Arthur Andersen, que fazia sua auditoria, foi junto para o buraco. Os débitos encobertos pela Enron chegavam a US$ 25 bilhões; a empresa possuía uma base de ativos próxima de US$ 64 bilhões. A fórmula da fraude da Enron é a mesma de episódios com a Parmalat e a WorldCom/MCI.



Um império de palitos de fósforo

Na mesma linha da Enron se situa Ivar Kreuger, sueco famoso como inventor do palito de fósforo. Kreuger construiu um verdadeiro império dos fósforos, negociando monopólio da produção com governantes europeus e do continente americano na década de 1930. Chegou a controlar dois terços da produção mundial de fósforos após a primeira guerra mundial, emprestando elevados montantes para a reconstrução européia no pós-guerra.

Kreuger se suicidou em 1932, recebendo uma homenagem de destaque na revista The Economist (ao lado, seu rosto na capa da Time), que se referiu ao "rei dos fósforos" como um ícone de carreira insuperável.

Três semanas depois, a própria Economist publicara uma matéria divulgando suas fraudes, que envolviam esquemas com gestores de fundos, negociações de ativos de minas imaginárias no Canadá e Boiler-room operators (operadores que pressionavam investidores a negócios não rentáveis).

Nas palavras de famoso economista John Kenneth Galbraith, "foi o Leonardo Da Vinci da trapaça".



US$ 2,5 trilhões em Treasuries?

Nas palavras da edição Londrina da revista Times, "teria sido o maior fraudador da história, se não tivesse sido pego". O estrategista da Scotland Yard Graham Halksworth tentou autenticar nada mais que US$ 2,5 trilhões em títulos do Tesouro norte-americano. Alegava que estas notas haviam sido emitidas na década de 1930 pelo governo norte-americano para minar a revolução comunista na China. Foi preso em 2003.



A história de Naji Nahas

O episódio mais famoso do mercado acionário brasileiro envolve o libanês naturalizado brasileiro Naji Nahas, acusado da quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1989. Com um império que incluía empresas, fazendas e seguradoras, o investidor fez fama no mercado por suas operações arrojadas. Sozinho, chegou a controlar 6% das ações da Petrobras e 10% dos papéis da Vale em circulação.

As acusações apontavam que Nahas emprestava dinheiro de instituições financeiras para aplicar em ações, manipulando a valorização dos ativos realizando negócios consigo mesmo via laranjas ou corretores. Foi inocentado em 2004. Alega que a quebradeira ocorreu pela mudança nas regras de negociações, acusando posteriormente o ex-presidente da Bovespa Eduardo Rocha Azevedo de planejar sua queda. Nahas afirma que Rocha fazia parte de um grupo de investidores que apostavam na retração do Ibovespa, enquanto ele apostava na alta.

Nahas voltou aos noticiários com a operação Satiagraha, em julho do ano passado. Chegou a ser preso sob acusação de participar de um esquema de desvio de verbas públicas e crimes financeiros. Entre os presos na operação estavam o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.



A história das grandes fraudes é construída por brechas nos mercados, que acabam proporcionando a correção de falhas; pela via mais dolorosa, o mercado acaba aprendendo com o erro de seus participantes. As mais recentes escancaram a necessidade de maior regulação nas operações financeiras, como no caso Madoff. Resta saber qual a próxima lacuna; ou o próximo personagem da lista.
Fonte: Infomoney

As maiores Fraudes do sistema financeiro mundial

Brechas do mercado revelam a lista das fraudes históricas, dos planos quase-perfeitos

InfoMoney

SÃO PAULO - Recentemente, um escândalo envolvendo o ex-presidente da Nasdaq Bernand Madoff resgatou os temores quando à integridade das operações realizadas no mercado.

A megafraude projeta prejuízos próximos de US$ 50 bilhões em hedge funds. As cifras colocam o caso Madoff entre as maiores fraudes da história corporativa; apenas mais um episódio entre tantos memoráveis que o mercado já presenciou.

> A megafraude Madoff
> Charles Ponzi
> O escândalo Enron
> Um império de palitos de fósforo
> US$ 2,5 trilhões em Treasuries?
> A história de Naji Nahas

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Carteira Sugerida | Unibanco divulga carteira de ações top pick para o mês de janeiro

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 0 comentários

InfoMoney
SÃO PAULO - O Unibanco divulgou a sua carteira top pick para o mês de janeiro, com cinco recomendações de ações de empresas que, segundo os analistas, oferecem um bom potencial de valorização para o período.

Na ponta da lista estão os papéis da Transmissão Paulista (TRPL4), que rendem bons dividendos para os acionistas, importante neste momento de crise, além das expectativas de um crescimento significativo para a empresa nos próximos meses, em virtude das concessões ganhas no leilão do Rio Madeira.

Ainda no lado do setor de energia, os analistas do banco recomendam os papéis da AES Tietê (GETI4), destacando também seu caráter defensivo (boa pagadora de dividendos) e os ajustes no preço da energia promovidos, valorizados devido à escala da inflação em 2008.

Riscos implícitos
Os analistas decidiram manter os papéis da Bradespar (BRAP4) em seu portfólio de mineração, devido ao amplo desconto das ações em relação aos ativos da Vale, onde detém participação direta.

Já no caso das ações do grupo Pão de Açúcar (PCAR4), o Unibanco acredita que os papéis devem se beneficiar com a retomada do setor varejista brasileiro, mas chama atenção para os níveis de preços altos das ações, que não justificam os múltiplos apurados.

Net, um caso especial
Em relação às ações da Net (NETC4), a equipe avalia que os ativos já foram demasiadamente penalizados pelo mercado devido ao caso da cobrança por ponto adicional instalado, que já perdura mais de um ano.

Os analistas consideram que ainda há possibilidade de anulação do projeto. No entanto, caso não haja abolição e as receitas advindas destes recursos sejam zeradas, a equipe vê um preço-alvo de R$ 19,00 por ação, ou seja, um upside de 46% frente ao fechamento da última sessão.

Do outro lado, o banco aposta que a Net deverá ser favorecida pela portabilidade numérica em 2009, pois oferece serviços de TV a cabo e de telefonia.

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HSBC traz oito recomendações de papéis que, segundo os analistas, têm potencial para marcar bons desempenhos na bolsa durante o mês de janeiro

InfoMoney
SÃO PAULO - A carteira top picks do HSBC traz oito recomendações de papéis que, segundo os analistas, têm potencial para marcar bons desempenhos na bolsa durante o mês de janeiro. (Carteira Sugerida)

Em relação ao portfólio de recomendações anterior, as ações preferenciais da Vale (VALE5) foram retiradas e substituídas por aquelas ordinárias, enquanto que os papéis da Eletropaulo (ELPL6) também foram excluídos da carteira.

Confira as top picks
EmpresaCódigoPeso
PetrobrásPETR425%
ValeVALE315%
CSNCSNA310%
ItaúITAU410%
CCR RodoviasCCRO310%
CPFL EnergiaCPFE310%
AES TietêGETI410%
Pão de AçúcarPCAR410%

Justificativas
  • CSN
    Os analistas destacam a forte posição de caixa da companhia, beneficiada pela entrada de US$ 3,12 bilhões devido à venda da Namisa, além de um bom yield projetado para 2008 em linha com seus resultados.
  • Petrobras
    Para o banco, a manutenção dos preços da gasolina no mercado interno, mesmo com a queda do preço do petróleo, deve favorecer as margens da estatal. Ainda mais, o aumento de participação na carteira teórica do Ibovespa deverá gerar mais demanda pelos papéis.
  • Vale
    Conforme destacado, a mineradora possui baixa alavancagem e sólida situação financeira, com caixa de aproximadamente US$ 15 bilhões e dívidas com vencimento no longo prazo. Vale lembrar também que a empresa manteve seu plano de investimentos para 2009.
  • Pão de Açúcar
    A queda nos preços das commodities deverá reduzir a pressão sobre os preços dos alimentos, impactando diretamente sobre as margens da companhia, afirma o HSBC. Também devem ser levados em consideração a sua situação financeira estável e o desempenho das vendas no setor de supermercados.
  • CPFL Energia
    As expectativas quanto a maior eficiência operacional por parte de suas últimas aquisições no segmento de distribuição, mais representativo do grupo em termos de faturamento, são motivo da recomendação.
  • AES Tietê
    A companhia possui um fluxo de caixa previsível devido ao seu acordo bilateral com a Eletropaulo, além de contar com forte geração de caixa e baixa necessidade de investimentos, que possibilitam a distribuição de dividendos.
  • CCR
    A companhia apresenta uma forte geração de caixa combinada com um razoável dividend yield, ressalta o banco, além de contar com uma receita indexada ao IGP-M e forte crescimento orgânico baseado nas concessões existentes.
  • Itaú
    Dentre os fatores de destaque está a fusão com o Unibanco, que criará o maior banco do Brasil, com patrimônio líquido estimado em R$ 51,7 bilhões, que deverão gerar ganhos de escalada e sinergias. Além disso, as medidas recentes do Banco Central deverá favorecer a liquidez do setor.

Complementando
O HSBC lista também em sua lista complementar outras sugestões de ativos que poderão apresentar um bom desempenho no período citado.

EmpresaCódigo
PetrobrasPETR4
UsiminasUSIM5
BradescoBBDC4
UnibancoUBBR11
GerdauGGBR4
TAMTAMM4
OHLOHLB3
Gerdau Met.GOAU4
CemigCMIG4
TractebelTBLE3
ValeVALE5

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Bolsa ignora indefinição em Wall Street e amplia ganhos com a disparada da Vale

SÃO PAULO - Apesar da indefinição de Wall Street, a perspectiva de recuperação da demanda pelas commodities garante uma tarde de fortes ganhos ao Índice Bovespa, com as ações da Vale de protagonistas. Lá fora, as idéias de Obama para reanimar a economia dividem espaço com preocupações com o cenário corporativo.

Nesta segunda-feira (5), as montadoras reportam ao mercado seu desempenho de vendas nos EUA em dezembro. Ford, Toyota, Honda e GM já divulgaram seus números, com declínio de 32%, 37%, 35% e 31% no volume de vendas respectivamente. Os investidores aguardam ansiosos pelos dados de Chrysler, recentemente resgatada pelo governo. Além da preocupação com as montadoras, os analistas trabalham para incorporar suas perspectivas para a próxima rodada de resultados corporativos. Com recessão simultânea nos EUA, Europa e Japão, as apostas preocupam.

Por outro lado, o investidor também demonstra otimismo com o governo Obama, que assume oficialmente no próximo dia 20. O presidente-eleito anunciou o objetivo de cortar impostos e ampliar os investimentos, que devem reduzir em aproximadamente US$ 300 bilhões a carga tributária no país.

Diante da indefinição das bolsas norte-americanas, o Ibovespa é exceção. Escora-se no forte desempenho das ações atreladas ao mercado de commodities e segue com expressiva alta, encostando nos 42 mil pontos. O grande destaque fica para a Vale, que acompanha os ganhos de BHP Billiton e Rio Tinto no mercado internacional e dispara. Os estoques de minério de ferro apresentaram forte retração na Índia e China na última passagem semanal.

Dólar cai para R$ 2,255
Refletindo o cenário mais tranquilo nos mercados e as intervenções do Bacen, o dólar comercial fechou com expressiva desvalorização de 3,43%, cotado a R$ 2,255.

Foram realizados leilões de venda conjugada com leilão de compra de moeda estrangeira no mercado interbancário. A operação colocou no mercado US$ 650 milhões e a taxa de venda foi de R$ 2,291.

Ibovespa em forte alta
Graças ao desempenho de Vale, siderúrgicas e da Petrobras, o Ibovespa escapa da instabilidade de Wall Street e segue com valorização próxima de 4% pela tarde, contornando os 41.800 pontos. O volume financeiro ultrapassa R$ 3 bilhões.

Entre os destaques de alta estão os papéis de Rossi Resid ON (RSID3, +15,42%), Bradespar PN (BRAP4, +11,01%), Vale Rio Doce PNA (VALE5, +9,62%), Vale Rio Doce ON (VALE3, +8,62%) e Sid Nacional ON (CSNA3, +7,98%).

Por outro lado, as ações de Pao de Açucar PN (PCAR4, -4,37%), Lojas Renner ON (LREN3, -3,78%), Trans Paulista PN (TRPL4, -3,59%), Copel PNB (CPLE6, -2,88%) e Cemig PN (CMIG4, -2,46%) apresentam pior desempenho.

Os maiores volumes ficam com Vale Rio Doce PNA (VALE5, R$ 542,70 milhões), Petrobras PN (PETR4, R$ 518,13 milhões), BMF Bovespa ON (BVMF3, R$ 133,50 milhões), Vale Rio Doce ON (VALE3, R$ 91,55 milhões) e Petrobras ON (PETR3, R$ 88,15 milhões).

InfoMoney

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Planner lista onze ações em sua carteira mensal, para iniciar o ano de 2009

SÃO PAULO - A carteira mensal da corretora Planner traz onze recomendações de papéis que, segundo os analistas, têm potencial para marcar bons desempenhos na bolsa durante o mês de janeiro.

Poucas mudanças foram realizadas no portfólio do mês passado para cá. Os onze papéis sugeridos em dezembro continuam presentes, com a exceção das ações da Vale (VALE5) que foram substituídas por aquelas da Usiminas.

Confira as sugestões


EmpresaCódigoPreço alvoUpside*
PetrobrasPETR4R$ 48,6098%
UsiminasUSIM5R$ 50,0074%
BradescoBBDC4R$ 55,00121%
UnibancoUBBR11R$ 26,0060%
RedecardRDCD3R$ 45,5073%
PerdigãoPRGA3R$ 65,53105%
CCR RodoviasCCRO3R$ 45,0083%
Brasil TelecomBRTO4R$ 24,7773%
CPFL EnergiaCPFE3R$ 51,0064%
EletrobrásELET3R$ 35,0029%
Pão de AçúcarPCAR4R$ 44,0034%

*Potencial de valorização com base no fechamento de 2 de janeiro.

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Lucro da PDVSA aumentou 225% entre janeiro e setembro de 2008

domingo, 4 de janeiro de 2009 0 comentários

Caracas, 2 jan (EFE).- O lucro líquido da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) dispararam 225% entre janeiro e setembro passados, período em que registrou o número recorde de US$ 12,1 bilhões, segundo um relatório da indústria divulgado hoje.

Nos primeiros nove meses de 2008, a indústria petrolífera venezuelana obteve receita líquida no valor de US$ 115,4 bilhões, 68% mais que no mesmo período do ano anterior, informa o Relatório Operacional e Financeiro da PDVSA.

O preço médio do petróleo da Venezuela, quinto exportador mundial de petróleo, atingiu US$ 103 o barril no período janeiro-setembro, segundo dados oficiais.

O relatório da indústria petrolífera informa, além disso, que nesse lapso de tempo também cresceu a dívida da companhia com seus fornecedores, atingindo US$ 7,8 bilhões, 39% mais que no mesmo intervalo de 2007.

As dívidas por cobrar da PDVSA acumularam nesse tempo um total de US$ 24,2 bilhões, 116% mais que os US$ 11,2 bilhões registrados entre janeiro e setembro do exercício anterior.

O informe diz que no período de referência a companhia reduziu em 7,38% sua dívida financiada, que em 30 de setembro de 2008 estava em US$ 14,8 bilhões.

O documento acrescentou que por conceito de Imposto sobre a Renda (ISLR) a indústria acumulou entre janeiro e setembro uma dívida fiscal de US$ 6,2 bilhões, e outra de US$ 8,8 bilhões correspondentes ao chamado imposto de ganho súbito.

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Vale: apesar de cautelosas, projeções da Ágora mantêm ações como boa opção

SÃO PAULO - A corretora Ágora deu início aos trabalhos de 2009 revisando suas estimativas para a Vale (VALE3, VALE5). De acordo com o relatório publicado nesta sexta-feira (2), foram levados em conta os resultados do terceiro trimestre do ano passado, premissas mais conservadoras para os preços dos minerais e metais, além dos recentes cortes de produção anunciados pela mineradora.

No entanto, apesar do conservadorismo implementado nas novas projeções, os analistas afirmam que encontraram potencial de valorização significativo nas ações da empresa, o que os levou a recomendar a compra dos ativos, em especial os ordinários.

A corretora estima que o atual patamar das ações da companhia embute a expectativa de que o preço do minério de ferro caia 49% em 2009. No entanto, estudos feitos por ela indicam queda em torno de 28% para a commodity no período, o que torna exagerado o desconto corrente embutido nos papéis e reforça sua sugestão.

"É importante mencionar que nossa recomendação de investimento se baseia em um cenário de médio e longo prazo, dada a expectativa de volatilidade nos primeiros meses do ano em função das incertezas acerca da intensidade e duração da desaceleração da economia mundial", ressalta a equipe da Ágora.

Minério de ferro

Para a estimativa de preço do minério de ferro, os analistas tomaram como premissa o atual cenário de desaceleração da economia global, além dos sucessivos cortes de produção de aço pelo mundo e os elevados estoques do produto na China, fatores que deverão resultar na inversão do movimento de alta das cotações, com queda de 28,1% em 2009.

Eles destacam as incertezas no médio prazo quanto ao mecanismo a ser seguido nas negociações para determinar o preço do minério, mas acreditam que a supremacia da Vale como principal fornecedora mundial do produto, a relevância dos novos projetos de expansão da capacidade de produção da mineradora e a qualidade destacável de seu minério possibilitam a ela buscar um diferencial de preço ao longo do ano.

Quanto ao volume de vendas de minério da empresa, a Ágora trabalha com uma redução de 23,1% no quarto trimestre de 2008, em função dos cortes de produção anunciados com o objetivo de adequar-se ao cenário de fraca demanda global e elevado estoque de aço na China. "Para 2009, continuamos a visualizar queda do volume de vendas", completa a corretora.

Níquel

Com relação ao níquel, a instituição afirma que fatores como cortes na oferta do produto e aumento da produção de aço inoxidável a levaria a prever aumento dos preços deste metal. "Entretanto, as incertezas acerca da desaceleração da economia mundial deverão pesar mais na balança, com a variável especulação prevalecendo", ressalta.

Desta forma, os analistas adotam uma postura conservadora para o preço do níquel, considerando o valor médio de US$ 11.375 por tonelada no ano de 2009, ou seja, queda de 47% sobre a média de 2008. Para 2010, no entanto, eles estimam a cotação do produto em torno de US$ 14.527 por tonelada.

A exemplo do minério de ferro, a corretora prevê uma redução do volume de vendas físicas de níquel da mineradora em 2009 em relação a 2008, que também sofreu influência do cenário de desaceleração da economia global.

Resultados

Diante de tal contexto, a Ágora também divulgou sua expectativa para alguns indicadores financeiros da Vale. A receita bruta, por exemplo, deve se beneficiar da alta do dólar e encerrar 2008 em R$ 75,938 bilhões, aumento de 14,4% em relação ao ano anterior. Já em 2009, o número deve apresentar leve queda, para R$ 73,507 bilhões, avalia a instituição.

Em conseqüência, os analistas visualizam um crescimento do Ebitda - geração operacional de caixa - da companhia em torno de 5,9% ao ano no período de 2008 a 2010.

Por fim, eles consideram um capex de US$ 11,962 bilhões em 2009, cujos principais projetos visam dar continuidade aos investimentos para expansão, em 2012, da capacidade de produção de minério de ferro (+35%), níquel (+49%), cobre (+88%) e mais do que dobrar a de carvão.

Projeções para os papéis

CódigoPreço-alvoUpside*Recomendação
VALE3R$ 44,1659,4%Compra
VALE5R$ 39,2564,3%Compra
*Potencial de valorização para dezembro de 2009 com base no fechamento de 2008

Cabe destacar que o atual spread entre as ações ordinárias e preferenciais classe A da Vale, em torno de 13,6%, corrobora a preferência da corretora por recomendar o investimento no primeiro tipo de papel da mineradora.